domingo, 7 de maio de 2017

Amar até perder o fôlego

                  



Ao fim de 40 anos de vida, e quase 11 de experiência como mãe, eu chego á conclusão que é muito mais fácil ser filha do que ser mãe. Eu adoro ser filha da minha mãe (e do meu pai também mas hoje não é o teu dia querido pai, por isso…). A minha mãe é a pessoa mais altruísta, mais fantástica e a melhor pessoa que conheci até hoje. Eu gosto muito de ser “outra vez pequenina” e, sempre que posso, de me atirar para o colo da minha mãe porque é o sítio mais seguro que conheço. Vocês sentem o mesmo?!

“A vida não traz um manual de instruções mas traz uma mãe.”

Eu li uma frase deste género algures, não sei bem se com estas palavras exactas, mas com este sentido, (já não me lembro onde, a minha cabeça já não é o que era…) e sorri para mim. Que grande verdade de La Palice.

Para os meus filhos, eu sei tudo e resolvo tudo: sou uma espécie de super mulher em saltos altos. “ Vai correr tudo bem” é o que mais lhes digo (e a mim mesma, muitas vezes, também…). Às vezes estou histérica por dentro, a colapsar de nervos, sem fazer a menor ideia do que posso fazer para melhorar aquela dor ou aquela angustia mas eles sabem que a mãe vai resolver. Eles contam com isso da mesma forma que eu conto com isso por parte da minha mãe. E ela nunca me falhou.


Quando uma mulher recebe um filho nos braços, pela primeira vez, não faz a menor ideia do que a espera, sejamos sinceras. No dia em que o T mais velho nasceu e, logo de caras, berrou toda a noite, percebi que a minha/nossa vida ia mudar. E mudou muito, sem dúvida.

Era aqui que devia dizer que mudou para melhor, que tudo são rosas e momentos felizes.

Lamento, mas não é assim. A vida passa a ser feita de mel em muitos momentos mas também passa a ter muitos momentos de medo, de incerteza e de angústia. O facto de ter duas crianças no mundo deixa-me totalmente vulnerável, fico com o meu coração do tamanho de um grão de areia cada vez que os vejo sair da minha redoma e a fazerem a vida deles.

Passamos a ter o nosso coração a prémio, é o que é.

Mas depois há também aqueles momentos em que tudo faz sentido: quando descobrimos que gostamos da mesma música, quando um deles se emociona com o mesmo livro que tu já leste 27 vezes e que continuas a acabá-lo em lágrimas (refiro-me ao “Principezinho”…) ou quando olhamos para eles e vês coisas tuas (ou do pai) em expressões faciais ou em respostas acutilantes…

Os meus filhos “não existem” em fotos explícitas aqui no blog nem nas redes sociais. É uma opção minha e não tenho nada contra quem faz o contrário. No entanto, eu falo deles porque eles são a melhor parte dos meus dias, a parte mais feliz, e não sei viver sem os ter por perto apesar de me perguntar muitas vezes onde está todo o tempo livre que eu tinha há uns 10 anos atrás…desapareceu, simplesmente evaporou-se.

É verdade que ter uma parte de nós, por aí no mundo, faz-te sentir “menos avulso”, menos desligada das responsabilidades socias e, por isso, mais atenta ao que te rodeia (ao bom e ao mau). Mas também pode ser avassalador ter tanta responsabilidade por isso há que encontrar um meio-termo entre “amar muito mas sem os estrangular demasiado” (tento faze-lo mas ainda não consigo liberta-los em demasia…). Isto é um caminho de aprendizagem não muito fácil e cheira-me que quando eu já estiver em velocidade de cruzeiro eles fazem as malas e vão viver com uma rapariguinha qualquer que os vai roubar de mim… Como o meu coração ainda não está preparado para isso, hoje vou apenas concentrar-me no facto de que eu acredito que eles vão ser meus para sempre, assim como eu sou da minha mãe.

Têm dito ultimamente á vossa mãe o quanto gostam dela?! Ou acham que as mães, apesar de o saberem, não o querem ouvir, todos os dias, e varias vezes ao dia?

 

Xi-❤️!


Isabel.






                       
                               


#English


To love until you lose your breath
 

                



After 40 years of life and almost 11 years of experience as a mother, I come to the conclusion that it is much easier to be a daughter than to be a mother. I love being my mother's daughter (and my father's too but today is not your day dear dad, so ...). My mother is the most unselfish, the most fantastic and the best person I have ever met. I really like to be "her little girl " and, whenever I can, to throw myself into her lap because it is the safest place I know. Do you feel the same ?!

 "Life does not come with an instruction manual but it brings a mother."

 I read a quote like this somewhere, I'm not sure if with these exact words, but with this sense, (I can not remember where, my head is not what it used to be ...) and  I smiled to myself. What a great truth of La Palice.
For my kids, I know everything and I solve everything: I am a kind of super woman in high heels. "It's going to be ok" is what I tell them most (and myself, often, too ...). Sometimes I'm hysterical inside, collapsing with nerves, having no idea what I can do to make that pain or that anguish desapear, but they know that mummy will work it out. They count on me the same way I count with  my mother. And she never failed me.

When a woman receives a child in her arms, for the first time, she has no idea what to expect, let's face it. On the day that my oldest T was born and, soon afterwards, screamed all night, I realized that my / our life was going to change. And it changed a lot, no doubt.
It is here where I should say that it has changed for the best, that everything is roses and happy moments. I'm sorry, but it's not like that. Life happens to be made of honey in many moments but it also has many moments of fear, uncertainty and anguish. The fact that I have two children in the world makes me totally vulnerable, I get my heart the size of a grain of sand every time I see them come out of my dome and make their lives. We begin to have our heart lost in the world, it is what it is.

But then there are also those times when it all makes sense: when we find that we like the same song, when one of them gets emotional with the same book that you have already read 27 times and that you continue to end it in tears (I am referring to the " Little Prince "...) or when we look at them and see your (or father's) things in facial expressions or sharp answers ...
My children "do not exist" in explicit photos here on the blog or on social media. It's my choice and I have nothing against who does the opposite. However, I speak of them because they are the best part of my days, the happiest part, and I do not know how to live without having them around despite asking myself many times where is all the free time I had 10 years ago ... it disappeared, simply evaporated.

It is true that having a part of you out there in the world makes you feel "less loose", less detached from your social responsibilities and therefore more attentive to your surroundings (good and bad). But it can also be overwhelming to have so much responsibility for this, it is necessary to find a compromise between "loving a lot but not strangling them too much" (I try to do it but not yet with only I release too much ...).
This is not a very easy learning path and I almost can guess that when we're cruising, they will pack up and will go away  with some  girl who will steal them from me ...
Since my heart is not yet ready for it, today I will just concentrate myself in the fact that they will be mine forever, just as I am my mother’s girlie forever.

Have you told lately your mother how much you love her ?! Or do you think that mothers, even though they know it, do not want to hear it every day, several times a day?

 
Love,

 Isabel


                          

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