quarta-feira, 8 de março de 2017

Nós, as supermulheres





Cada dia que passa, eu chego á conclusão que não foi á toa que calhou às mulheres terem superpoderes. Eu acredito mesmo que estávamos destinadas a conseguir levar a melhor em qualquer situação mesmo com contrariedades vindas de todos os lados.
Os poucos homens que devem estar a ler isto já estão a abandonar o post por acharem que “ lá vem mais uma feminista histérica arreganhar os dentes e queimar o soutien porque quer a igualdade”. Errado! Rapazes, eu não sou nenhuma feminista extremista, nem coisa que se pareça, apesar de saber muito bem o valor das mulheres e o quanto temos de lutar diariamente por ele, mas não brinquem comigo : factos são factos.
Ora tomem nota :
Eu sou mãe, sou mulher, sou amiga, sou colega, tia e madrinha, sou filha e irmã, sou encarregada de educação, sou jurista e blogger (só nos tempos livres, é verdade…). E, isto tudo, 90% do tempo, acontece em saltos altos e maquilhagem perfeita. Arranjo tempo para ir dar a minha corrida, mas confesso que muitas vezes abdico desse meu prazer porque valores mais altos se levantam: os trabalhos de casa das crianças, os testes para os quais tenho de ajudar a estudar ou simplesmente porque, depois de ter passado todo o dia a tratar dos problemas dos outros, não tenho energia para fazer o que gosto.
Depois há toda uma vida doméstica para ser realizada e não estou a falar só de trabalhos domésticos (mas, sim, esses também tem de ser feitos). Falo de um tempo que tem de ser meu e das crianças, onde tenho de os ouvir, de saber como é que eles se sentem.
Isto de ser mãe é o trabalho mais difícil do mundo: temos de saber tudo acerca deles, temos de estar sempre alerta, ler nas entrelinhas, ser mãe e amiga mas também educadora. Temos de dizer NÃO com a firmeza possível (e ser a pior mãe de todas) mas também temos de os abraçar e dizer que tudo vai sempre correr bem (mesmo quando sabemos que pode não correr). 
Existem dias que são uma verdadeira maratona, corro tanto e sinceramente nem sei para quê.

Para quê, afinal?

Para entenderem porque me perdi em pensamentos e reflexões acerca deste tema, têm que ler também este post, deste blog maravilhoso, que sigo há já um tempo, e cuja autora é uma pessoa absolutamente fabulosa com a qual me identifico imenso.
Depois de ler o post da Marie pus-me a pensar seriamente neste assunto: será que temos MESMO de ser as melhores em tudo para sermos felizes? Será que temos de ser tão exigentes conosco ao ponto de estarmos sempre insatisfeitas com a nossa vida ou basta ser mediana e, dessa forma, encontrar o caminho para fazermos as pazes conosco?
As mulheres que fazem parte da história da minha vida são mulheres que sempre trabalharam fora, que sempre tiveram vida para além da vida familiar e certamente isso influenciou-me. Desde miúda que tenho como certo que uma mulher tem de ter vida própria, que deve trabalhar para ser financeiramente independente (e isto não me foi transmitido apenas pelas “minhas” mulheres mas também pelos homens com quem cresci e isso marcou-me profundamente).
Todavia, hoje em dia há uma diferença muito grande em relação às mulheres de outros tempos: nós não nos contentamos com o mínimo, nem sequer com o mediano. A minha avó sempre trabalhou fora mas ao ponto de nunca ter de correr; trabalhar sim, mas dentro dos limites da “ normalidade”, apenas para se sentir útil e ganhar algum dinheiro, mas nunca a por em causa o ritmo cardíaco (ela nem sabia o que significava a palavra stress…) ou a harmonia familiar. E foi feliz? Claro que sim, nem ela se deixaria ser infeliz…

A verdade é que nós queremos sempre mais e mais e, apesar disso, nunca chega o que temos. O mínimo que nós queremos é TUDO: queremos ser as melhores nos empregos, queremos ser as melhores no ginásio, queremos ser a que treina mais, a que tem sempre o melhor aspecto.
E estamos sempre a reclamar que não temos tempo, que andamos sempre a correr de um lado para o outro, que os nossos dias são verdadeiras maratonas e que ao fim do dia estamos esgotadas.
E isto tudo a contar com o marido que faz a parte dele ( não, não é “ajuda”, é mesmo fazer a parte dele…), ou seja, esta imensidão de tarefas ( num dia bom...) é a parte que me calha e, mesmo assim, parece um verdadeiro boot camp.
Emocionalmente, eu sinto-me muitas vezes culpada por não chegar a todo o lado apesar de saber que faço muito para que tudo bata certo. Não há nada mais dramático para mim do que estar constantemente com a sensação de que o tempo não chega, que está sempre alguma coisa em falta ou que desapontei alguém porque não consegui fazer algo tão simples como parar e ir tomar um café com a minha melhor amiga…eu queria muito ser capaz de me distanciar desta sensação mas ela assalta-me muitas mais vezes do que eu gostaria.
Minhas lindas, esta é a escravatura dos nossos dias: a de sermos supermulheres por opção própria.


Gostava de saber a vossa opinião acerca deste tema.




Afinal, qual de nós não usa, todos do dias, a capa invisível de “SUPER –mãe-filha-irmã-amiga-trabalhadora-esposa-colega” ?! 

 

Xi-❤

Isabel

 

#English

We, the Superwomen

 


Each day that passes by, I come to the conclusion that it’s no wonder that women have superpowers. I really believe that we are meant to be able to get the best of any situation even with setbacks coming from all sides.

The few men who are reading this are by this time already abandoning the post because they’re thinking "there comes another hysterical feminist to grin and burn her bra because she wants equality." Wrong! Guys, I'm not a maniac feminist, though I know how much we girls need to fight everyday for our place in the society, but do not play with me : facts are facts. Now, write down in your notebook:

I am a mother, I am a wife, I am a friend, I am a colleague, aunt and godmother, I am a daughter and sister, I am in charge of education, I am a lawyer and blogger (ok, only in free time ...). And, all this, 90% of the time, happens in high heels and perfect make-up. I take the time to go for my running, but I confess that I often abdicate my pleasure because higher values ​​are raised: the homework of the children, the exams for which I have to help studing or simply because after having spent the whole day dealing with the other people’s problems I do not have the energy to do what I like.

Then, there is a whole domestic life to be performed and I am not talking only about housework (but, yes, these also have to be done). There is a time that has to be mine and the children, where I have to listen to them, to know how they feel.
Being a mother is the most difficult job in the world: we have to know everything about them, we must be alert, read between the lines, be a mother and a friend, but also an educator. We have to say NO! as firmly as possible (and be the worst mother of all) but we also have to hug them and say that everything will always be ok (even when we know it may not happen).
There are days that are a true marathon, I run so much all day and I really do not know for what.

What for, anyway?

To understand why I got lost in thoughts and reflections about this topic, you have to read this post first, from this wonderful blog that I have been following for some time, and whose author is an absolutely fabulous person with whom I identify myself immensely.

After reading Marie's post I started to think seriously about this: do we HAVE to be the best of all to be happy? Do we have to be so demanding that we are always dissatisfied with our lives, or is it enough to be a average and thus find the way to be in peace with ourselves?

The women who are part of the story of my life are women who have always a job, who always had life beyond family life and certainly that influenced me. Ever since I was a girl, I believe that a woman has to have a life of her own, that she must work to be financially (and emotionally) independent (and this was not transmitted to me only by "my" women but also by the men with whom I grew up, and that struck me deeply ).

However, today there is a very great difference compared to women of other times: we are not satisfied with the least , not even the average. My grandmother, for exemple, always had a job but to the point of never having to run;  for her, work was a good thing,  because she worked within the limits of "normality", just to feel useful and earn some money, but never questioning the heart rate (she didn’t even know the meaning of the word stress ...) or family harmony meant. And was she happy? Of course, she would not let herself be unhappy ...

The truth is that we always want more and more, and nevertheless, we never have what we want. The least we want is EVERYTHING: we want to be the best in the jobs, we want to be the best in the gym, we want to be the one that works out the most, the one that always looks the best. And we are always complaining that we do not have time, that we are always running from one side of the city to the other, that our days are true marathons and that at the end of the day we are exhausted.
And, in the midlle of all this, I have to confess that hubby does his part (no, it's not "help", it's really his part ...he’s not helping me, he’s contributing for the common goal), that is,  this is my part and even though it seems like a whole universe of tasks.

Emotionally, I often feel guilty for not getting everywhere despite knowing that I do a lot to get everything balanced. There is nothing more dramatic for me than being constantly with the feeling that time isn’t enough, that there is always something missing, that I disappointed my best friend because i don't have the time to sit and have a coffee with her ( at least I know that she doesn't have it too... ) . I would love so much to be able to distance myself from this sensation but it assaults me many more times than I would ike.

My beautiful friends, I guess this is the slavery of our days: being superwomen by choice.

I would like to know your opinion on this subject.

After all, which of us does not wear the invisible cape of SUPER-“mother-daughter-sister-friend-worker-wife-colleague” every single day?!

Love,

Isabel





PS : I love Sia's songs and they are my soundtrack when i'm running ( on repeat...) and I think that this peticular song has a great message. Hope you like it.

3 comentários:

  1. Your words are so inspiring . Happy Women's Day sweetie ! I admire you for your multitasking skills ! ❤️❤️

    ResponderEliminar
  2. I love the way you put this! I think we all can relate to this topic all the time. Very refreshing to hear.

    ResponderEliminar
  3. Loved reading that, we are always aspiring for more! I can totally relate to this! Happy WOMENS day X

    ResponderEliminar